sexta-feira, 26 de março de 2010

O mundo é pequeno, mas nós somos mais!

Todos nós temos problemas - uns mais graves, outros menos - mas não há ninguém que diga que não os tem. E se diz está claramente a mentir!
Para nós os nossos problemas são sempre os piores do mundo, falamos deles ou pensamos neles como se nada pior fosse possível. Ficamos stressados, deprimidos, revoltados, e, na maioria das vezes, esquecemos que há tanta coisa mais grave do que aquilo que nos tira o sono. É nessas alturas em que nos sentimos pequeninos e nos apercebemos que o que nos preocupa não dita o fim da nossa vida, é ultrapassável.
Hoje senti-me pequenina. Não estava num dia mau - antes pelo contrário - sentia-me feliz pois ia ter com a pessoa que preenche grande parte do vazio que por muitas vezes sinto. Quando entrei no autocarro até estava com aquele sorriso parvo, tão característico das pessoas apaixonadas. Porém, algum tempo depois, o senhor de 69 anos (e isto não é uma piada) que se sentou ao meu lado começou a falar comigo. Assim que "pausei" o ipod a frase que ouvi foi:
_ "A vida é difícil!"
Fiquei sem reacção e a única coisa que consegui dizer foi um simples "pois".
A partir daí o senhor (cujo nome não sei) falou durante a meia hora que durou o resto do percurso. Justificou de imediato a primeira frase assim que me disse que o filho de 44 anos tinha sofrido um AVC, deixando-me mais uma vez sem saber o que dizer. Contou-me a infelicidade que tinha caído sobre a família dele e até chegou a falar da crise que vivemos e das dificuldades que os jovens (grupo em que me incluo) sofrem. Durante aquela meia hora fiquei sem saber o que dizer. Já é complicado consolar as pessoas que conhecemos mas mais difícil é fazê-lo com uma pessoa que assim do nada se cruza connosco. Limitei-me a abanar a cabeça e a dizer frases como: "É preciso ter calma"; "Não se pode perder a esperança", e pouco mais. O certo é que durante esse tempo fiquei triste pelo senhor que ali desabafou comigo e apesar de pouco lhe ter dito, sei que ouvi-lo já o ajudou de alguma forma.
Não pude deixar de fazer uma pequena introspecção à minha vida e aos meus actuais "problemas".
Sempre tive em conta que há sempre alguém que esta pior do que nós, contudo, às vezes é preciso encontrarmos estas pessoas que nos abrem os olhos e nos fazem ver que a sua tristeza faz muito mais sentido do que a nossa. Talvez aquilo que nos falte seja ouvir mais os outros e entender a nossa insignificância.
Já se passaram seis horas e continuo a pensar naquele senhor que a esta hora tem de ver o filho no hospital, o filho que podia ser a minha mãe ou o meu pai. Não é suposto nem natural serem os pais a ver os filhos doentes e a irem primeiro que eles.

Estou a escrever sobre isto porque acho importante passar a mensagem que aquele senhor me passou a mim.

Quando a viagem acabou ele pediu-me desculpa e desejou-me as maiores felicidades e a protecção de Deus. Como é óbvio só lhe disse que nada tinha a desculpar e desejei-lhe as melhoras e boa sorte. Provavelmente poderia ter dito algo melhor mas nessas alturas não conseguimos dizer muito mais.
É claro que isto não resolveu o que está mal na minha vida, é certo que vou continuar a ter os meus momentos de revolta e de tristeza, como toda a gente. É impossível não os ter! Mas se calhar vou me lembrar mais vezes que há sempre alguém que está pior!

"A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles."

Albert Einstein


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